sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A boa terra.


     




     




     


     Ao lermos a parábola do semeador com bastante reflexão e inclinação espiritual, logo fica bem claro tal pergunta: “Que tipo de terra é você?”.  Jesus explica sobre a receptividade da palavra no coração humano, ao citar vários elementos que compõe quatro tipos de terra para uma futura semeadura. A parábola do semeador é um ensinamento profundo, real, abrangente, direcionado a todo coração que se abre a compreensão do evangelho.

     Jesus fala logo nas primeiras narrativas, de um tipo de semente que foi lançada e caiu à beira do caminho. Trata-se de sementes que ficaram ao relento. Sementes que foram negligenciadas, esquecidas, rejeitadas. O coração tão alienado e desfocado de si mesmo não deu tamanha importância a tal semeadura, e a cultivação da mensagem no coração não foi possível, sendo em seguida dissipada pelo vento e devorada pelas aves dos céus. Assim é todo aquele que por estar tão cheio de si vive na inflexibilidade dos próprios atos soprando para longe a mensagem do evangelho porque a sua vida é um vento.

     O texto mostra também que o semeador lançou a semente num terreno rochoso: “Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra”. O terreno rochoso é aquele que é fechado, brindado numa opinião, numa crença, como diz um trecho da música do Raul Seixas, “... opinião formada sobre tudo”. É aquele que anda pela dureza das concretizações próprias, pela lógica, pela dedução dos olhos, pela soberba da vida. E, quando encontra algo novo se esnoba, vibra, festeja, se emociona e a semente com tamanha rapidez brota, mas a raiz não se expande, não aprofunda, porque o coração está brindado pela ignorância, pela razão, pela vista; não há fé; e tudo que não é de fé resulta em morte. Logo, a semente desvanece na sequidão por não trazer nenhum efeito estrutural na vida de quem a recebe.

     Outro tipo de terreno citado por Jesus é o espinhoso, seco, pobre, cheio de ervas daninhas e abrolhos. Até que a semente foi lançada e também cresceu, mas a miserabilidade do terreno também cresceu junto. Tal terreno espinhoso sufocou a mensagem do evangelho e esta também morreu. O trecho nos dar a entender que há certo paralelismo, ou seja, uma dissimulação. Logo, não há sucesso no progresso e desenvolvimento da semente, como disse Jesus: “Não dar para colocar vinho novo em odres velhos”, porque tudo tem que começar do novo, e terreno sujo precisa ser limpo, arado e cuidado para que a semente possa brotar e florescer. Por isso João, o batista, afirmou: “Na sua mão tem a par para limpar toda eira”. E, Paulo disse: “Se alguém pregar outro Evangelho além do que nós pregamos que seja anátema”.  Não há espaço para mercadejar, defraudar, dissimular, etc. Em toda história e curso da humanidade é o que mais estamos vendo, a falsificação do evangelho. A mensagem não prospera em terrenos espinhosos, se antes não houver uma limpeza geral na terra; uma drenagem, uma adubação que venha nutrir o coração para que a semente venha germinar, crescer e frutificar.

     Concluindo a narração Jesus fala de umas sementes que caíram em terra boa e fértil, ou seja, o coração aberto e receptivo a mensagem do evangelho da graça. Nas bem aventuranças estar escrito: “Bem aventurado os pobres de espírito”.  Estes são os que se despojam de si em prol das boas novas; sãos os que têm fome e sede de justiça. A eles Jesus diz: “Serão fartos”. São estes que abriram os ouvidos quando a mensagem grunhiu, tiniu em seus corações: “Quem tem sede venha a mim e beba”. Foram estes que venderam tudo, largaram tudo em troca da pérola, do tesouro maior, guardado nos céus. Foram estes que largaram reputações, interesses, poderes, titularidades, importâncias, para ir após as pisadas de Cristo, levando o seu vitupério fora do arraial. Sim, estes produziram trinta, sessenta e cem por um.


Paz,
Rafael Lima.

sábado, 10 de novembro de 2012

Deus, segundo a religião.


    






      







      Digo e afirmo mais uma vez que a religião e toda religiosidade é sinônimo da descrença e psicopatia espiritual. Principalmente aquela religião que na visão de Deus não é sinônimo de pureza. Porque a religião que é pura e imaculada para Deus, o Pai, é aquela que supre a necessidade alheia.

     A imagem de Deus segundo os requisitos construtivos teológicos da religião é um absurdo. Pelas características do deus que a religião descreve há um encaixe perfeito na imagem do diabo. Porque o deus segundo a religião é vingativo, narcisista, escravista, legalista, cheio de regras; é o deus da doutrina que separa grupos, os mais coerentes com a letra teológica. O deus segundo a religião é repleto de éticas moralistas, e, ama implantar leis nos seus adeptos. É um deus prestes a matar aquele que transgride seus dogmas; um deus que por qualquer deslize da pessoa está prestes a lançar no hospital com uma doença incurável aquele que não se suborna. Tais características nada diferem das entidades do mal que exige devoção pelos mesmos objetivos.

     O deus segundo a religião é frio, calculista, cheio de ira; indomável, sensacionalista, um manteiga derretida; um verdadeiro brigão repleto de cólera; um terrorista muçulmano prestes a destruir o mundo se estes não participarem do grupo VIP religioso. Por isso que as músicas dos crentes, na maioria das vezes, são repletas de ódio, vingança, desprezo, pelejas, guerras, etc. Músicas como estas: “ Agora é a tua vez de humilhar”; “ Teus inimigos vão te ver quando ele te exaltar”; “ Vão te aplaudir”; “ Chegou a tua hora”; “ É o dia da vitória”; “ Quem te viu triste vai te ver sorrindo”. Estas são mensagens do deus que cultuam; um deus exigente prestes a consumir com fogo. É um deus que exige trabalho, trabalho, trabalho, em trocas de demandas, favores, valores materiais,  riquezas, etc. É um deus que para satisfazer o ego da pessoa, clama primeiro por devoção; fidelidade partidária e doutrinária. É um deus que exige sacrifícios loucos em troca de migalhas, quinquilharias. A religião reduziu Deus a tudo isso que foi citado neste texto; eis a razão da existência dos ateus que não acreditam no deus segundo a construção religiosa. Porque acreditar em Deus segundo a religião é a aceitação dessas imagens, destas construções humanas, deterministas e encartalhadas sobre Deus.

     Por isso que o evangelho que é Cristo em nós não se encaixa nesses moldes. Porque nos moldes da religião, deus é uma figura patética preso numa coleira sendo direcionado pela vontade dos líderes de tais empresas. Deus humanizado em Cristo é amor, puro amor e compaixão para com todos. Disse Jesus aos seus discípulos: “Quem ver a mim, ver o Pai”. Em Cristo, o mundo foi reconciliado, perdoado e amado, sem méritos para este amor.


Paz e bem,
Rafael Lima.



sábado, 25 de agosto de 2012

Gregos e Judeus.











          







         “Pois não me envergonho do evangelho, porque é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”.  Nos dias de Paulo a cultura grega e a judaica exerciam fortes influências na sociedade. Paulo escreve as igrejas neste contexto: De religiosidade e filosofia; racionalismo e sensacionalismo; crença e descrença. Este era o ambiente daquela época. Um ambiente dominado pela influência da religião e das ideias Greco-romanas.

     “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder”. Uma das igrejas (comunidade de pessoas) que mais foi influenciada pelo movimento helenístico foi à comunidade que se reunia em Corinto. Estavam abandonando tudo aquilo que foi pregado desde o principio. “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”. A mensagem de humilhação, despojamento, loucura, escândalo; a mensagem do evangelho que é: “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”, estava sendo esquecida e rejeitada pela beleza retórica das palavras humanísticas. O evangelho estava deixando de ser realidade na vida de muitos em Corinto.

      Paulo descreve que a mensagem da cruz é escândalo para os judeus, ou seja, porque vai de encontro à tradição, aos ritos, às normas, do mundo hebreu. Eles se escandalizavam por ouvir palavras que iam de encontro a tudo que eles constituíram como verdade, como princípio para a vida. O judaísmo se fundamentava na lei, nos dogmas. Por isso que quando a mensagem do evangelho era pregada, escandalizava. Jesus rompeu com toda à tradição. Imagine o impacto das palavras de Cristo no seio religioso de Jerusalém quando Ele explanou tais palavras: “Antes que Abraão existisse Eu Sou”. O que é velho e ultrapassado não deve ser reformado, “porque não dar para por remendos novos em panos velhos”.

     Paulo afirmou que o evangelho é loucura para os gregos. A cultura helenística se fundamentava no racionalismo, na ciência, no conhecimento, na ética, na retórica, na oratória, na beleza estética, nas belas palavras filosóficas, etc. Devido à influência do império romano e seu amplo domínio, a cultura grega difundiu-se por diversas regiões influenciando outras diversas culturas. A cidade de Corinto assimilou inúmeros compostos da influência grega. Na carta de Paulo aos igreja ( escrevo ‘aos igreja por se tratar de pessoas’), em Corinto vemos sua dura luta para provar que seu apostolado não foi intitulado por determinações hierárquicas religiosas e nem estava fundamentada na ótica filosófica grega. Vejamos um trecho das palavras de Paulo:
“Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis. Porque penso que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos. E, se sou rude na palavra, não o sou, contudo na ciência; mas já em todas as coisas nos temos feito conhecer totalmente entre vós”.


      Portanto, evangelho não se encaixa nos moldes de Jerusalém e nem do mundo grego, porque não é nenhuma espécie de doutrina, de teologia, de conhecimento humano e filosofia, e nem tão pouco nenhuma visão a não ser a do Cristo crucificado, escândalo para judeus e loucura para os gregos. Nenhuma nova teoria ou mercadologia. Como disse Paulo: “O evangelho é poder”. Poder para transformação de todo aquele que crê, incluindo o Judeu (tradição) e o Grego (racionalismo teórico). A fé não se fundamenta nas concretizações desta vida, nas deduções humanas, etc., porque se a nossa esperança estiver nesta vida somos os mais miseráveis dentre os homens. Disse Jesus: “Bem aventurado são os que não viram e creram”. O judaísmo hoje é todo processo determinista, de redução, de condensação da glória de Deus que não se encaixa em templos e sistemas humanos, porque nem os céus dos céus são capazes de conter a grandeza de Deus. E, que não venhamos a confiar em nós mesmos, fundamentados na nossa ciência medíocre, nas nossas deduções da obviedade, da nossa vã glória, etc. Que o poder se aperfeiçoe no reconhecimento de nossa fraqueza, da nossa imbecilidade. Porque o evangelho que não se apresenta a nós com palavras persuasivas de sabedoria humana, e nem pelo proselitismo sistemático de toda tradição religiosa; este evangelho que se manifesta em nós com poder e esperança de glória em Cristo é a salvação de todo aquele que crê: tanto o judeu (religioso) e também o grego (racionalista humanista).


Paz, graça e verdade,
Rafael Lima.


sábado, 28 de abril de 2012

Quem é você no Caminho?














     A pergunta do evangelho soa diariamente aos nossos ouvidos. Esta é uma interrogação feita por Jesus a nós, e esta indagação foi feita aos seus discípulos. Jesus perguntou-lhes o que diziam a respeito D’ele: “Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. E, no decorrer da vida efêmera e passageira, vamos ficar diante de Deus nas variadas circunstâncias ouvindo esta interrogação: Quem é você no Caminho?

     Os motivos que nos fazem seguir a Cristo são diversos. Cada pessoa se apresenta com uma história de vida e os motivos que a fizera seguir o evangelho. Uns afirmam que vieram pela dor, no calor das dificuldades da caminhada; outros receberam a mensagem do evangelho e vieram pelo medo do porvir; outros vieram por interesses pessoais; outros se aproximaram do evangelho pela ideia revolucionária e transformadora; outros, ainda, chegaram porque ouviram palavras novas, filosofias para a vida, mensagens de sabedoria, um magnífico talismã de apego e sucesso.

     Quando analisamos a mensagem do evangelho e acompanhamos as pisadas de Jesus, veremos os mesmos fatos. Foram-se as pessoas; foi-se o passado; Cristo ressuscitou e vive dentro de nós, mas as situações que decorreram na jornada de Cristo aqui na terra ainda permanecem mais vivas do nunca, porque somos nós que vamos vivenciando os mesmos problemas que os discípulos tiveram. Há momentos que somos apanhados por interrogações; há momentos que nos precipitamos e queremos fazer fogo descer dos céus sobre os samaritanos. Também há momentos de empolgações e grandes desafios. Por haver tantos questionamentos e tantos espinhos que sufocam a mensagem da graça, muitos se perderam no Caminho. Diante de tantos problemas, das interrogações que a vida nos propõe, chega o momento de sermos levado ao vau de Jaboque e ouvirmos do céu a mensagem que nos pergunta: “Qual é o teu nome?”; Quem é você? E levamos um choque ao chegar à conclusão que nada somos, e se não for as misericórdias do Senhor sobre nós seremos consumidos.

     Mas, a pergunta continua: “Quem é você no Caminho?”; O que te trouxe a mim? Foi a pergunta dirigida aos seus discípulos: “ O que vós pensais que Eu sou?”. Estão dizendo por aí que és isso, és aquilo, e Pedro por divina inspiração respondeu: “Tu És o Cristo”. E Jesus quer saber o que nos levou a andarmos após Ele. Que a nossa resposta seja esta: “Para onde iremos nós se Tu tens palavras de vida”. Não te seguimos pelas influências; não te seguimos pela filosofia e sabedoria; não te seguimos pela fama; não andamos após Ti pelas amizades e os interesses pessoais. Seguimos-te levando o Teu vitupério porque sem ti, sem comer da Tua carne e beber do teu sangue, não viveremos.


Rafael Lima




Geração " Fast-food".



     






     O fast-food virou sinônimo de um estilo de vida estressante que vem sendo criticado desde o final do século XX. Acredito não é só um estilo alimentar como também cotidiano, porque este estilo é um reflexo de vida que a sociedade do século XXI tem experimentado. A palavra “fast-food” na tradução do inglês para o português significa comida rápida ou comida pronta, devido à necessidade brusca das pessoas de se alimentarem porque o tempo é corrido.

     O que mais vemos nos dias atuais é a imensa correria das pessoas no dia-a-dia e até vivenciamos isto em nossas vidas. Quem não já expressou para alguém que está sem tempo; ninguém é poupado de tais atos. Somos flagrados por condutas que não pensávamos em ter. Tudo está a mil, é a sociedade do “speed”. Até mesmo nos discursos políticos, empresariais e religiosos. Surgem preocupações com o futuro e investimentos de cinquenta a cem anos à frente, sem deduzirmos o que irá acontecer. Jesus narrou tais fatos em suas parábolas, sobre um rico que se alegrava com o resultado de seus investimentos: “E direi a minha alma: Alma tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”. Estamos perdendo valores por causa da nossa negligência.

    As construções afetivas estão sendo esquecidas e pisoteadas. Não há mais tempo para longas conversas, porque tudo é dinheiro e já deduziram que tempo é dinheiro. Tudo tem que fluir rápido, por isto é válido dizer: Oi! Olá! Tudo bem! Amém! Porque é o momento das interjeições. Nisto, os relacionamentos vão ficando deteriorados, porque não há mais diálogos; conversar é perda de tempo. É muito melhor punir o culpado, do que tratar o problema na raiz. Não há mais tempo para participar da vida do próximo, compartilhando experiências vívidas. O tempo dos amigos do bairro, do futebol de rua, das travessuras nas casas dos vizinhos foi substituído por computadores, virtualidades, etc., já que a sociedade é escrava do medo. Hoje, o que é válido é o isolamento, cada um no seu canto e que ninguém se conheça, amém. Conhecimento, intimidade, diálogo é perda. Os valores de hoje são financeiros, monetários, etc. A sociedade está um caos.

     Por isso que esta geração está cada vez mais adoecida. Precisamos viver ao invés de padecer pelos nossos erros. O dia tem vinte e quatro horas e necessitamos urgentemente rejeitar a proposta medíocre que se instalou no mundo. Porque vida não é lucros; saúde não é dinheiro, muito menos ter posses. “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. De modo que viver é sermos nós aproveitando cada minuto, cada segundo; porque estar com o próximo não é perda, é ganho neste século e no porvir.


Rafael Lima

Os anjos de Deus.









Anjos de Deus são aqueles que nos conforta
Quando precisamos de conforto.
Anjos de Deus são aqueles que do nada
Aparecem dispostos a nos ajudar.


Anjos de Deus são aqueles que quando caídos estamos
Estendem a mão para nos levantar.
Anjos de Deus são aqueles que nem percebemos,
Mas num simples sorriso, em trocas de palavras acolhedoras,
Fazem-nos enxergar esperança na jornada da vida.


Os anjos de Deus estão próximos,
São amigos e até desconhecidos,
Anônimos mergulhados em serviços
E eles nos trazem mensagens
Abraços e um ombro amigo.


Os anjos de Deus estão aqui, ali, cá e acolá;
Longe das experiências místicas;
Distantes do sobrenatural;
São mais humanos do que nunca
Nesta experiência dimensional.
Os garçons, os diáconos,
Que compartilham da mesa celestial
O alimento que nos ergue para a vida.


Rafael Lima