Nesta temática, abordarei diversos fatores que englobam a mistificação do evangelho dividida em duas publicações bem detalhadas. Tais problemas são perniciosos, e ainda circundam a mente de muitos desde os primórdios da influência da teologia católica medieval. Estas características se evidenciam em comportamentos que estão ligados ao legalismo mosaico, espiritismo e catolicismo. Por isso, precisamos mergulhar de corpo e alma nos ensinamentos bíblicos cristocêntricos para nos livrar de toda espécie de males que tentam dominar as nossas mentes, e que já dominaram as lideranças das instituições religiosas evangélicas.
Quero abrir este parágrafo abordando o contexto histórico bíblico do misticismo que está presente nas instituições religiosas dos dias atuais; tudo tem uma origem e explicação. Se olharmos e regressarmos aos tempos passados, veremos a origem de todo problema místico no Jardim do Éden, como se fosse uma bactéria que com o decorrer do tempo vai se fortalecendo. Vemos, claramente, o distanciamento do homem em relação a Deus, o Pai supremo de todas as coisas. Os conceitos antropocentristas ganham força com a atitude perniciosa de Caim. Logo depois, o homem procura associa-se uns com os outros em comunidade; nascem às nações, em seguida os grandes impérios. Tais impérios adotaram a cultura religiosa politeísta em controvérsia com a cultura monoteísta judaica. Toda mazela espiritual foi se multiplicando como um vírus frenético, passando e se agregando de império a império, até se fundir em um único ponto, chamado império romano. Tal império condensou aspectos de todas as culturas num único lugar. Neste tempo a igreja de Cristo como um corpo espiritual, dissociada de um composto religioso identificável e visível aos olhos humanos, toma forma embasada nos ensinamentos de Cristo, a Pedra angular.
A partir do ano 100 d.c, multiplicaram-se diversas formas de perseguições internas e externas. A multiplicação de conceitos errôneos e a fúria desenfreada do império romano, ver surgir logo após a morte dos apóstolos, as colunas doutrinárias, homens denominados de apologistas e polemistas; estes consolidaram métodos para defender a igreja de tais ataques. O cristianismo estava perdendo sua característica primordial, a simplicidade, para torna-se numa organização visível, ou seja, numa religião; sabemos que o nascimento de uma religião vem em conseqüência da ausência de Cristo.
Não podendo conter o crescimento do cristianismo, o império romano, com a chegada do imperador Constantino, concede liberdade de culto aos cristãos, associando-se a igreja. A partir de então o cristianismo é a religião oficial do império; começando deste ponto todo lixo teológico. Aprendemos que o império romano foi uma síntese de toda cultura pagã; vejam o estrago quando este se associa de uma forma pacífica a igreja que neste tempo já era uma religião. O legalismo, espiritismo e tantas outras coisas que vemos a exceção de judaísmo, originaram-se do paganismo. Traços da cultura grega, egípcia e babilônica estavam presentes dentro do império romano.
Com a falência política do império romano, a denominada igreja católica se encarrega de reerguer o império numa grande corporação religiosa dominante; inicia-se a idade média, o período das trevas. Com tanta corrupção dos clérigos e escravização da massa que na maioria eram leigos, levantam-se um dos reformistas, Martinho Lutero, além de também levantar outros, a exemplo de João Calvino. Homens livres e pensadores que experimentaram as grandezas da graça; romperam com o sistema católico, mas o espírito religioso não foi erradicado, continuou. Destes reformistas brotaram missionários, líderes, pastores, com uma ótima visão, mas caracterizados pela religião. Neste grupo, levantou-se o teólogo Jacó Armínio, um aluno de João Calvino, que influenciou John Wesley, herdeiro do pentecostalismo, ensinos carismáticos e de toda desordem que vemos nos dias atuais em instituições que se dizem pentecostais. Eram pessoas de princípios cristãos, mas contaminados pela influência esmagadora da religião. Daí surgiu às instituições que hoje presenciamos, e o que nos preocupa é o fato de que os conceitos místicos, herdados pelo catolicismo foram repassados. As reuniões evangélicas são reflexos do espiritismo, legalismo e catolicismo. O espiritismo presente nestas instituições enfatiza o sentir em vez do refletir; a possessão em vez da inspiração. Pregam e retrocedem ao antigo testamento buscando meios de reconciliação com Cristo através de regras. A tradição é fortalecida; por isso que vemos ainda, muito presente, a hierarquia governamental; para combatê-los precisamos mergulhar a nossa mente nas escrituras.
O apostolo São Paulo afirmou: “... apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. A nossa mente e o nosso pensar é o reflexo daquilo que absorvemos, por isso devemos nos apegar ao que é bom e agradável para fluir coisas boas de nosso coração. O bom e agradável é Cristo; se voltarmos a Cristo, todos os aspectos da religião serão varridos de nossa memória.
Shalom, Rafael lima.
