sábado, 25 de agosto de 2012

Gregos e Judeus.











          







         “Pois não me envergonho do evangelho, porque é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”.  Nos dias de Paulo a cultura grega e a judaica exerciam fortes influências na sociedade. Paulo escreve as igrejas neste contexto: De religiosidade e filosofia; racionalismo e sensacionalismo; crença e descrença. Este era o ambiente daquela época. Um ambiente dominado pela influência da religião e das ideias Greco-romanas.

     “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder”. Uma das igrejas (comunidade de pessoas) que mais foi influenciada pelo movimento helenístico foi à comunidade que se reunia em Corinto. Estavam abandonando tudo aquilo que foi pregado desde o principio. “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”. A mensagem de humilhação, despojamento, loucura, escândalo; a mensagem do evangelho que é: “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”, estava sendo esquecida e rejeitada pela beleza retórica das palavras humanísticas. O evangelho estava deixando de ser realidade na vida de muitos em Corinto.

      Paulo descreve que a mensagem da cruz é escândalo para os judeus, ou seja, porque vai de encontro à tradição, aos ritos, às normas, do mundo hebreu. Eles se escandalizavam por ouvir palavras que iam de encontro a tudo que eles constituíram como verdade, como princípio para a vida. O judaísmo se fundamentava na lei, nos dogmas. Por isso que quando a mensagem do evangelho era pregada, escandalizava. Jesus rompeu com toda à tradição. Imagine o impacto das palavras de Cristo no seio religioso de Jerusalém quando Ele explanou tais palavras: “Antes que Abraão existisse Eu Sou”. O que é velho e ultrapassado não deve ser reformado, “porque não dar para por remendos novos em panos velhos”.

     Paulo afirmou que o evangelho é loucura para os gregos. A cultura helenística se fundamentava no racionalismo, na ciência, no conhecimento, na ética, na retórica, na oratória, na beleza estética, nas belas palavras filosóficas, etc. Devido à influência do império romano e seu amplo domínio, a cultura grega difundiu-se por diversas regiões influenciando outras diversas culturas. A cidade de Corinto assimilou inúmeros compostos da influência grega. Na carta de Paulo aos igreja ( escrevo ‘aos igreja por se tratar de pessoas’), em Corinto vemos sua dura luta para provar que seu apostolado não foi intitulado por determinações hierárquicas religiosas e nem estava fundamentada na ótica filosófica grega. Vejamos um trecho das palavras de Paulo:
“Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis. Porque penso que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos. E, se sou rude na palavra, não o sou, contudo na ciência; mas já em todas as coisas nos temos feito conhecer totalmente entre vós”.


      Portanto, evangelho não se encaixa nos moldes de Jerusalém e nem do mundo grego, porque não é nenhuma espécie de doutrina, de teologia, de conhecimento humano e filosofia, e nem tão pouco nenhuma visão a não ser a do Cristo crucificado, escândalo para judeus e loucura para os gregos. Nenhuma nova teoria ou mercadologia. Como disse Paulo: “O evangelho é poder”. Poder para transformação de todo aquele que crê, incluindo o Judeu (tradição) e o Grego (racionalismo teórico). A fé não se fundamenta nas concretizações desta vida, nas deduções humanas, etc., porque se a nossa esperança estiver nesta vida somos os mais miseráveis dentre os homens. Disse Jesus: “Bem aventurado são os que não viram e creram”. O judaísmo hoje é todo processo determinista, de redução, de condensação da glória de Deus que não se encaixa em templos e sistemas humanos, porque nem os céus dos céus são capazes de conter a grandeza de Deus. E, que não venhamos a confiar em nós mesmos, fundamentados na nossa ciência medíocre, nas nossas deduções da obviedade, da nossa vã glória, etc. Que o poder se aperfeiçoe no reconhecimento de nossa fraqueza, da nossa imbecilidade. Porque o evangelho que não se apresenta a nós com palavras persuasivas de sabedoria humana, e nem pelo proselitismo sistemático de toda tradição religiosa; este evangelho que se manifesta em nós com poder e esperança de glória em Cristo é a salvação de todo aquele que crê: tanto o judeu (religioso) e também o grego (racionalista humanista).


Paz, graça e verdade,
Rafael Lima.