“E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam”. (Atos 3.2)
Acompanhamos a história de um homem que há anos vivia mendigando à porta do templo chamada Formosa. Quando Pedro e João se deslocavam ao templo na hora da oração, foram surpreendidos pelo paralítico que rogava por uma esmola. Respondendo eles em seguida: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda”. (Atos 3.6). O paralítico instantaneamente foi curado. Aos nossos olhos parece uma coisa simples e sem muito significado, mas quero adentrar em áreas que nunca foi explorada pela igreja atual.
Qual a razão deste homem ser curado fora do templo de Jerusalém? Se o conceito de igreja significa “chamados para fora”. Pela lógica corriqueira a transformação deveria sair de dentro do templo. E por que não veio de dentro, mas de fora? Porque o conceito de igreja estava sendo vivenciado por Pedro e João. E por que este conceito era vivido por estes apóstolos? Porque conheciam e viviam o evangelho de Cristo, e a manifestação da graça, que é o se colocar no lugar de alguém, como diz um trecho da música do cantor Paulo Cesar Brito: “quem procura Deus acha o seu irmão”. Cristo nos ensinou a amar o próximo, e este é o significado do amor a Deus. No cenário que se desvendou com Pedro, João e um paralítico, que era vítima de um sistema altamente satânico, aristocrático, onde quem lucrava era a elite do poder e mais ninguém, o evangelho entra acabando com a festa, derrubando por terra todo poder.
E qual eram os poderes que faziam parte daquele cenário? O poder religioso, político e financeiro. A ausência de Cristo desenvolve todo tipo de lixo espiritual, porque Ele é o caminho a verdade e a vida. Na ausência de Cristo o homem procura criar os seus próprios caminhos e o resultado de tudo é a religião; o homem tentando se religar com Deus, a síndrome do poder, e a famosa associação com o império romano, que é a política. O poder religioso e político se sustentam no poder financeiro.
O cenário do templo em Jerusalém era desta forma. A elite aristocrática que formava o poder era os Saduceus, partido religioso que se dissociava dos fariseus. Casta exclusivista sujeita a toda espécie de influência, aderindo à cultura pagã grega, e associando-se com o império romano (o tríplice poder político, religioso e financeiro). Um sinal da ausência de Cristo. E quando estes três fatores se associam, a conseqüência é miséria, desprezo, negligência, etc. Quando um determinado país tem muitos ricos, no submundo há muitos miseráveis. Resumindo, a elitização de alguns em detrimento de outros. Este é o resultado da ausência de Cristo em todas as instituições que se intitulam como igrejas, mas não são igrejas, são empresas. Porque o evangelho de Cristo já saiu de cena há muito tempo, explicarei na próxima oportunidade.
Shalom, Rafael Lima
