“Pois não me envergonho do evangelho,
porque é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do
judeu e também do grego”. Nos dias de
Paulo a cultura grega e a judaica exerciam fortes influências na sociedade.
Paulo escreve as igrejas neste contexto: De religiosidade e filosofia;
racionalismo e sensacionalismo; crença e descrença. Este era o ambiente daquela
época. Um ambiente dominado pela influência da religião e das ideias
Greco-romanas.
“A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras
persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder”.
Uma das igrejas (comunidade de pessoas) que mais foi influenciada pelo
movimento helenístico foi à comunidade que se reunia em Corinto. Estavam
abandonando tudo aquilo que foi pregado desde o principio. “Mas nós pregamos a
Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”. A mensagem de
humilhação, despojamento, loucura, escândalo; a mensagem do evangelho que é:
“poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”, estava sendo esquecida
e rejeitada pela beleza retórica das palavras humanísticas. O evangelho estava
deixando de ser realidade na vida de muitos em Corinto.
Paulo descreve que a
mensagem da cruz é escândalo para os judeus, ou seja, porque vai de encontro à
tradição, aos ritos, às normas, do mundo hebreu. Eles se escandalizavam por
ouvir palavras que iam de encontro a tudo que eles constituíram como verdade,
como princípio para a vida. O judaísmo se fundamentava na lei, nos dogmas. Por
isso que quando a mensagem do evangelho era pregada, escandalizava. Jesus
rompeu com toda à tradição. Imagine o impacto das palavras de Cristo no seio
religioso de Jerusalém quando Ele explanou tais palavras: “Antes que Abraão
existisse Eu Sou”. O que é velho e ultrapassado não deve ser reformado, “porque
não dar para por remendos novos em panos velhos”.
Paulo afirmou que o
evangelho é loucura para os gregos. A cultura helenística se fundamentava no
racionalismo, na ciência, no conhecimento, na ética, na retórica, na oratória,
na beleza estética, nas belas palavras filosóficas, etc. Devido à influência do
império romano e seu amplo domínio, a cultura grega difundiu-se por diversas
regiões influenciando outras diversas culturas. A cidade de Corinto assimilou
inúmeros compostos da influência grega. Na carta de Paulo aos igreja ( escrevo ‘aos
igreja por se tratar de pessoas’), em Corinto vemos sua dura luta para provar
que seu apostolado não foi intitulado por determinações hierárquicas religiosas
e nem estava fundamentada na ótica filosófica grega. Vejamos um trecho das
palavras de Paulo:
“Porque, se alguém
for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro
espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o
sofrereis. Porque penso que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos. E, se sou rude na palavra, não o sou, contudo
na ciência; mas já em todas as coisas nos temos feito conhecer totalmente entre
vós”.
Portanto, evangelho
não se encaixa nos moldes de Jerusalém e nem do mundo grego, porque não é
nenhuma espécie de doutrina, de teologia, de conhecimento humano e filosofia, e
nem tão pouco nenhuma visão a não ser a do Cristo crucificado, escândalo para
judeus e loucura para os gregos. Nenhuma nova teoria ou mercadologia. Como
disse Paulo: “O evangelho é poder”. Poder para transformação de todo aquele que
crê, incluindo o Judeu (tradição) e o Grego (racionalismo teórico). A fé não se
fundamenta nas concretizações desta vida, nas deduções humanas, etc., porque se
a nossa esperança estiver nesta vida somos os mais miseráveis dentre os homens.
Disse Jesus: “Bem aventurado são os que não viram e creram”. O judaísmo hoje é
todo processo determinista, de redução, de condensação da glória de Deus que
não se encaixa em templos e sistemas humanos, porque nem os céus dos céus são
capazes de conter a grandeza de Deus. E, que não venhamos a confiar em nós
mesmos, fundamentados na nossa ciência medíocre, nas nossas deduções da
obviedade, da nossa vã glória, etc. Que o poder se aperfeiçoe no reconhecimento
de nossa fraqueza, da nossa imbecilidade. Porque o evangelho que não se
apresenta a nós com palavras persuasivas de sabedoria humana, e nem pelo
proselitismo sistemático de toda tradição religiosa; este evangelho que se
manifesta em nós com poder e esperança de glória em Cristo é a salvação de todo
aquele que crê: tanto o judeu (religioso) e também o grego (racionalista humanista).
Paz, graça e verdade,
Rafael Lima.

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