terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Utopia social








As nuvens passam estridentes
Como pedaços de algodão resplandecentes.
As aves voam como flechas de asas abertas
Procurando galhos nas árvores verdes
Para louvar o dia que renasce em vida.

Repetição frívola para quem desconhece a cor do viver;
Eternidade louca dos sonhadores esperançosos.
Graça revigorante para amantes;
Amantes que gemem...
Entristecidos com dias infelizes,
Amantes que almejam...
Esperançosos por dias melhores.

Vida sintética cotidiana!
Onde vozes de lamento ecoam pelo alimento.
Ouvem-se gritos de dor,
Gritos do desamor crescente, abundante,
No constante enegrecimento do mundo.
Vidas congeladas!
Que escravizam as almas
Na cegueira de seus próprios mundos.

Há suspiros de tristezas escaldantes,
E nos olhos são lágrimas trasbordantes.
Pela dor que toca, maltrata;
A dor que desumaniza
Fazendo do ser objeto do não ser na vida.

Enquanto o céu, neste inferno,
Brilha num maravilhoso encanto,
E o mar na sua destreza
Vem lamber na praia a fina areia.
Areia do tempo,
Que deixa marcas.
Prevendo com denúncia o nosso mundo patético,
A teia das nossas almas.

E, o mar que rir dos nossos conceitos,
Ensina sobre vida com todo apelo,
Guardando no mais profundo seio,
Enigmas e segredos
Refletindo nos espelhos
Os nossos medos e receios.
O medo de amar,
O medo de ser livre.

Rafael Lima

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Circunstâncias do Caos














Círculo mágico
Que exibe o fracasso,
Na mesma medida
Que até cristaliza.

Pisou o doce verbo
Que transforma o labor.
E foi-se a vida e os dias
Que de tristezas e glórias
Foi lançada nesta aurora.

A flor solar que brota
Com aquela pura nota,
Que se faz tão fria
Tão vazia
Nas ondas desta vida

Andando em círculos
Contempla-se o oportunismo
Alçando degraus,
Etapas do mal.

Mesmice frívola!
Sobriamente fria.
Quem se conhece
Não se conhece.
Pois as etapas do tempo
Muda os rumos
E até as sacras convicções deste século.

Rafael Lima

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Escutai-O.









    







     “E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho amado; a ele ouvi” (Marcos 9.7).  Ouvir a Jesus como Palavra da verdade; como Caminho e Vida; como centro das Escrituras. Ele é o Verbo de Deus, o pão vivo que desceu dos céus.

     Esse é o legado da lei, dos profetas, e de toda à escritura: “A Ele ouvi”. Foi esta frase que soou aos ouvidas da mulher samaritana quando Ele disse: “Se tu soubesses quem Sou”. Mas na verdade o queremos transformar é Jesus num ídolo. Ao longo de toda história o cristianismo transformou Jesus, o verbo de Deus num ídolo. Afinal, transformar alguém em ídolo é a proposta do sistema. Foi exatamente o que Pedro quis fazer quando ficou diante da revelação lá no monte. Pedro, Thiago e João queriam estatizar a glória que foi revelada; eles queriam construir um "templinho" religioso, mas diante da perplexidade gloriosa todos ficaram diante da mensagem: “A Ele ouvi”. Foi justamente o que Maria disse: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

     “Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”. A vontade de Deus é que venhamos abrir os nossos corações a Palavra do Verbo encarnado. É estarmos dispostos à direção do Vento que sopra onde quer; é seguirmos as pisadas de Jesus sem olhar para trás, sem olhar para nós mesmos. Por isso Paulo disse: “olhando para Jesus autor e consumador da vossa fé”; simplesmente Ele, o nosso Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

     A proposta do sistema é para que venhamos a andar segundo a nossa vontade, os nossos interesses. Antes pensava que fazer a vontade de Deus era se enfiar na religiosidade, orar feito louco, pregar feito um neurótico e procurar todos os dias um culto para bater meus pontos. Mas a vontade de Deus é que amemos uns aos outros da forma mais natural possível. Este é o mandamento de Cristo.

     Contra este mandamento, no deserto da solidão, em meio à fome e a dureza do caminho, Jesus foi tentado pelo diabo e ouviu os apelos e as propostas desse mundo: “Tudo te darei se prostrado me adorares”. A proposta do mundo é a negligencia da Palavra de Jesus ao transformá-lo no nosso próprio ídolo. Foi à proposta do diabo a Cristo, sugerindo que Ele pulasse do templo e voasse diante das pessoas. Imagine tal atitude. Acredito que Jesus rapidamente seria um ídolo sem passar pela cruz. Como falei e como está escrito: esta é a proposta da religião, a proposta do mundo, transformar Jesus num ídolo. Por isso se preocupam tanto em taxar Jesus como mestre, como Senhor, como Deus ao invés de ouvi-lo como Palavra da Verdade. O cristianismo transformou até a bíblia como palavra de Deus revelada, para que a palavra de Cristo não seja esclarecimento e cura para a cegueira espiritual de muitos.

    João disse: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. E, mundo é tudo aquilo que foi definido pelo diabo quando tentou Jesus: Poderes, controle, endeusamento ao fazer de si mesmo um ídolo; inclinações à própria vontade e não a de Jesus. É  seguimento do curso satânico que sempre procura ser igual a Deus, sentar na cadeira de Deus. E, quantos líderes estão fazendo isso hoje. Com discernimento espiritual entendemos que existe mundo em qualquer lugar, até dentro das “igrejas” que se consideram superiores ao mundo, mas que na verdade e subjetivamente andam aos mesmos patamares do sistema anticristo. Ouvi dizer tantas coisas, doutrinas e regras sobre o mundo, mas na verdade o sistema mundo estava tão enraizado dentro de mim. Precisei ser tocado pela graça do evangelho para ser curado de mim mesmo.



Rafael Lima,
Paz e bem.